Mídia e Poder

Discussão do curso de Mídia e Poder - Pós-Graduação-Cásper Líbero

Mídia e Poder

Discussão do curso de Mídia e Poder - Pós-Graduação-Cásper Líbero
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Arquivo de: Março 2007

28.03.07

Conglomerados

Com base na lógica do capital (dinheiro que atrai mais dinheiro, mais lucro e mais dinheiro) cada dia mais, verdadeiros impérios se formam e tudo não passa de simples interesse econômico. Grandes empresas exploram pessoas, vendem logos e ideais passando por cima de tudo.


A mídia não é diferente. É triste a expectativa que se tem quando se sai da faculdade cheio de idéias e ideais, acreditando no que nos foi ensinado sobre ética, interesse público e honestidade. O campo de trabalho é restrito e as melhores condições de trabalho podem ser encontradas apenas nas grandes empresas midiáticas, que de uma forma ou de outra, só se tornaram tão grandes e poderosas porque trabalharam a favor da política do capital e da centralização do poder. Trabalharam com a redução de mão de obra, jogaram de acordo com as regras políticas e econômicas e trabalharam como empresas privadas, apenas. Tendo muitas vezes como foco principal não o que realmente era notícia, mas o que deveria ser, ou que importava que fosse. É como no documentário mostrado na última aula, no dia 23, que mostra que o interesse econômico ultrapassa qualquer outro. Se o meio de comunicação tem um dono, este vai querer lucro. E é difícil para uma empresa crescer, conseguir sucesso e fortuna sem em nenhum momento ter que ceder a pressões daqui e dali.


É assim que os jornalistas de hoje crescem. Sem perspectivas, tendo muitas vezes que passar por cima dos seus ideais e convicções, quase que tendo que se vender por condições razoáveis. Trata-se de um jornalista com uma função social, mas não é por isso que ele deixa de ser uma pessoa com necessidades de sobrevivência...


O que se ouve de conselhos dos mais experientes? Ordens de resignação: “se quer falar a sua verdade, escreva um livro, é o único lugar onde você vai poder dizer o que quiser, e quem sabe ter alguém que queira lhe ouvir”. Do contrário, as vozes se perdem em meio a tantas outras coisas, e o que prevalece é o que é exaustivamente mostrado tantas e tantas vezes pela mídia. São tantas as repetições que mesmo que você saiba a verdade, às vezes até você se coloca em dúvida. A maneira como as coisas, as idéias e os modelos são vendidos são convincentes, quanto a isso ninguém pode discordar...


O pior não é pensar na prostituição só dos grandes ou só dos pequenos, mas sim na contaminação geral e no rumo que tanto um quanto outro acabam tomando. Semelhantes, embora em proporções diferentes.


Pensando em tudo isso surgem dúvidas, angústias e questionamentos que só se acalmam quando se percebe que há pessoas que acreditam ou dependem de alguma forma da mídia, ou de suas boas intenções. E mesmo que apenas ideais ou boas intenções não resolvam, de alguma

 forma existem pessoas que dependem deles, talvez até por não terem mais de quem depender... Mas dependem, só da gente.

2 filhos de Francisco

Interessante a forma como o filme “2 Filhos de Francisco” mostra exatamente o que a Indústria Cultural normalmente faz com a sociedade, mas da forma inversa. Ao invés de ser a mídia que manipula o gosto do público e o faz “acostumar com a música” até passar a gostar dela, o agente manipulador é o pai de um dos cantores que liga repetidas vezes para a rádio pedindo a canção.


Ao mesmo tempo, a rádio não deixa de manipular o gosto do público mesmo sem intenção. Ela acredita que a música já caiu no gosto popular e que, o motivo das ligações é o sucesso. Mesmo meio “sem querer”, a emissora então, toca a música inúmeras vezes por dia, fazendo com que o público acostume com o que ouve, e o estimulando a gostar da canção.
A estratégia usada é a mesma, o que mudou foi apenas o agente manipulador.

26.03.07

Dispersão e Infantilização

Dispersão e infantilização. Esses foram os temas do debate da primeira aula do curso de Mídia e Poder.


O texto de Marilena Chauí falava da dispersão que a televisão acaba causando nos telespectadores. E de fato ela causa, a partir do momento em que o mantém preso a uma programação que faz pausas a cada sete minutos. Muitas pessoas discordaram de Marilena, e acharam suas afirmações genéricas e exageradas. Mas Marilena não fala de casos isolados, mas sim de uma tendência, de comportamento em geral.


Concordo ainda que a concentração de grande parte das pessoas é instável e que a mídia tem certa responsabilidade sobre isso. Mas é claro que existem exceções, pessoas com perfis e repertórios diferentes, que reagem de maneiras diversas.

Quanto a infantilização também concordo que seja, em parte, culpa da mídia. Mas acho que se poderia ir além, e atribuir tal responsabilidade ao sistema, que vive do incentivo ao desejo de posse e trabalha com a fugacidade da satisfação, o que de uma maneira ou de outra leva ao consumo. A mídia, nesse caso, veicula esses estímulos e auxilia até por meio de novelas e personalidades a produção do desejo. Outro grande responsável por isso é a moda, que muda a cada instante, também com o objetivo de instigar o desejo e estimular o consumo. A mídia trabalha então, como vitrine dessas tendências, que entranham no gosto e no desejo dos telespectadores.


É claro que existem exceções e que cada indivíduo pode ou não ceder a tais pressões. Mas muitas vezes elas são imperceptíveis e influenciam muito as nossas vidas.

09.03.07

Mídia e Poder

Todos  que quiserem discutir nossas aulas e dar sugestões serão muito bem vindos!!!