Mídia e Poder

Discussão do curso de Mídia e Poder - Pós-Graduação-Cásper Líbero

Mídia e Poder

Discussão do curso de Mídia e Poder - Pós-Graduação-Cásper Líbero
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Arquivo de: Julho 2007

19.07.07

Despedida

A primeira vez que fui à Cásper Líbero para fazer a matrícula no curso de pós-graduação senti aquele friozinho na barriga, como no primeiro dia de aula da primeira série do ensino fundamental, quando de uma escolinha de interior e pré-escola me mudei para uma escola enorme com ensino médio. Nas primeiras aulas da pós tinha medo de falar, de comentar, me expor, simplesmente por medo de dizer alguma besteira. Aos poucos fui me sentindo mais à vontade, mais segura, fui percebendo que a sala não era fria e inóspita como eu imaginava, e que as pessoas não eram tão sérias e fechadas, ríspidas e exigentes como eu achava que seriam...
Mesmo assim eu também não falei muito durante as aulas. Sou mais de ouvir do que de me expor, mas estava sempre atenta. Mesmo após a semana toda, alguns quilômetros e horas, horas e mais horas de trânsito de Campinas a São Paulo. Ficava atenta porque me interessava, porque as aulas tinham conteúdos instigantes e interessantes que me abriam os olhos para realidades sobre as quais talvez eu ainda não tivesse pensado.
Ao longo desses quatro meses as aulas foram uma delícia e um tormento. Tormento pelo trânsito, pelo cansaço, pela obrigação de estar em São Paulo em plena sexta-feira em horário de pico, pelo final de semana que obrigatoriamente teria que começar em São Paulo. Ao mesmo tempo, era uma delícia e em plenas férias tenho saudades. Já até queria voltar a ter aulas na sexta-feira, o que não será mais possível por causa das grades horárias.
Antes das férias eu só pensava que entraria em férias. Não tinha me dado conta de que as aulas iam acabar e que com isso, as pessoas mudariam, os horários, os temas e os professores... Quanto me dei conta fiquei super triste porque já era a última aula da turma de Mídia e Poder com o professor Dimas. Que foi interessante, prazerosa e cativante. Prestes a iniciar as aulas do segundo semestre, volta aquele friozinho na barriga, pelo menos um pouco dele, porque o professor, as pessoas e os dias vão mudar. E eu já estou com saudades... E
spero que pelo menos o professor, a turma ou as aulas sejam tão bons quanto as aulas de mídia e poder. Pelo menos uma das coisas né, porque tudo junto vai ser difícil...

A mídia e o esporte

O país do futebol está sediando os jogos panamericanos. Diversas modalidades, países e atletas se misturam e se esforçam em busca de uma medalha. Muitos pela primeira vez aparecem. Os telespectadores começam a conhecer os esportistas e as modalidades, mas nomes e esportes ainda se misturam... É um verdadeiro bombardeio de informações.
Nos jogos Panamericanos, os resultados e as medalhas têm evidência. A mídia abre espaço para atletas de todas as modalidades, mas até quando?
Provavelmente até que novos atletas ganhem novas provas, só. A fama desses esportistas é fugaz. Com o final do Pan devem acabar também os momentos de fama dos atletas. Depois disso, a mídia volta a mostrar apenas o que a maioria quer ver do esporte... O futebol.


18.07.07

A vaia

Uma coisa que vem sendo muito comentada é a vaia que o presidente Lula recebeu na abertura dos jogos. Merecida? Não? Talvez...Falta de compostura, de respeito de bom senso. Concordo. Por outro lado tudo isso tem faltado no comportamento do governo com o povo. Sobra violência, fome, medo, corrupção, decepção e impostos e falta muita coisa. Falta trabalho, falta seriedade, falta respeito, honestidade e palavra à maioria dos homens públicos do nosso Brasil.
Na realidade, esta foi a oportunidade que o Rio de Janeiro teve de mostrar sua insatisfação com o governo. Foi o momento que tinha para protestar contra o medo que passa diariamente e contra todas as mortes injustas que já aconteceram com balas perdidas. Foi o momento que o Rio teve para dizer que a política é imoral e pedir que o excelentíssimo presidente da República finalmente tome vergonha na cara e olhe pelo nosso povo.

17.07.07

Cidade maravilhosa

Foi-se o tempo que a cidade poderia se chamar assim. A paz parece uma situação inédita aos moradores e visitantes. O mundo veio ao Rio de Janeiro para ver o Pan, mas eu mesma conheço brasileiros que tiveram medo de ir ao estado vizinho para prestigiar nossos esportistas por não saber o que poderia acontecer. Se a hipótese da “compra da paz” for verdadeira eu pergunto: A que ponto chegamos?
E aos que não acreditam que esta hipótese possa ser real: Como de uma hora para outra o governo conseguiu controlar a situação que até pouco tempo era caótica?
As perguntas estão longe de ser respondidas, mas uma coisa é certa: os moradores do Rio de Janeiro vão pedir que o Pan se estenda por mais tempo.

O Poder do Pan

Antes que começassem os jogos Panamericanos milhares de pessoas trabalhavam para que a estrutura fosse instalada. Mesmo no país em que a miséria pode ser vista a cada esquina, na cidade em que o tráfico já ditas as regras, tudo ficou bonito e bem organizado, pelo menos aparentemente.
A cidade que até poucas semanas estava praticamente em guerra, agora só vê os fogos das comemorações e os gritos de vitória dos esportistas. Nada de tiros, de favelas, de tráfico de drogas, de exército nas ruas ou de toque de recolher. Mas o que será que foi feito para que de repente a guerra ficasse sob controle?
Infelizmente o caos a que já chegamos nos faz questionar os motivos ou as medidas que levaram à paz. E não nos parece impossível a idéia de que o tráfico pode ter feito suas exigências para o governo para que não fizesse nenhum atentado. E os pedidos podem ser de armas, de tráfego livre de informações de drogas e de estrutura. Por quanto tempo?